A Toca do Túlio

Janeiro 19, 2008

Acidentes de Viação

Filed under: Forças de Segurança — tuliohostilio @ 9:17 pm


Através do semanário Sol, na sua versão Online, fiquei a saber, tal como muitos outros portugueses, que a Polícia de Segurança Pública de Lisboa, conta no seu dispositivo com uma estrutura, supostamente inovadora, a qual, de acordo com as palavras do líder de tal projecto, promete revolucionar a investigação dos acidentes de viação.

Para o efeito, terá sido criada “uma brigada especial para fotografar acidentes de viação com mortos e feridos graves, recolhendo material que ajudará depois os investigadores a estudarem com mais profundidade a sinistralidade e os crimes nas estradas”. Afirmando-se de seguida que «até agora, não existia em Portugal qualquer formação nesta área», o que dificultava o rigor na investigação dos crimes rodoviários.

Esta notícia vem provar que a informação não circula entre as duas forças de segurança existentes em Portugal. Porque se tal não acontecesse, certamente, o entrevistado saberia que a Guarda Nacional Republicana (GNR), através da Brigada de Trânsito, unidade alvo de um processo de reestruturação em curso, dispõe, no seu dispositivo (o qual cobre a quase totalidade do território nacional), há bastante tempo, de estruturas destinadas à investigação de acidentes de viação, devidamente enquadradas, equipadas e treinadas. As quais contam ainda, em caso de necessidade, com o apoio de estruturas de criminalística, treinadas para os mais diversos cenários.

Ou então, talvez a notícia tenha saído com alguma imprecisão e se quisesse informar que até à entrada em funções deste conjunto de 41 elementos, destinado apenas a actuar em Lisboa, a PSP não dispunha de agentes com formação específica para este tipo de actividade. Desde já me congratulo com tal facto, e acho que se deve estender a todas áreas cujo policiamento está à sua responsabilidade, porque Portugal não é apenas Lisboa. Pois, os acidentes de viação são um fenómeno que urge travar e ao travá-los conseguir-se-á diminuir o número de mortos e de feridos (ligeiros e graves) nas estradas portuguesas.

Convindo ainda referir que os dados recolhidos por este tipo de estruturas, tanto na GNR como na PSP não se devem destinar apenas à responsabilização criminal e/ou contra – ordenacional, mas também a servir de base a futuras acções de prevenção, em diversos domínios, designadamente, ao nível do comportamento dos condutores, do traçado das vias  e da concepção dos veículos.

Aliás, à semelhança daquilo que já acontece noutras áreas, nomeadamente, quando ocorre um acidente ou incidente com aeronaves, ou com comboios. 

Túlio Hostílio

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10 Comentários »

  1. A verdade é que raramente é divulgada ao público a causa dos acidentes. Já passaram quase 3 meses sobre os atropelamentos do Terreiro do Paço e de Tires e sobre o despiste da A23, que tanto brado deram na comunicação social, e as causas de tais acidentes continuam a ser um mistério.

    Em vez de se estudar as causas dos acidentes e procurar os remédios em conformidade tem-se feito da culpabilização abstracta dos cidadãos comuns a chave que tudo justifica. Cada vez que morre um português na estrada há fornecedores de radares e de lombas e “especialistas” consultores que aumentam as suas previsões de vendas.

    A verdade é que os acidentes de viação em Portugal estão em linha com o nosso nível de desenvolvimento económico e social. Têm mesmo vindo a reduzir o seu número de forma continuada e acentuada nos últimos anos. De acordo com estudos universitários recentes morrem três vezes mais pessoas por ingestão exagerada de sal, por exemplo, do que em acidentes de viação.

    O que importa é compreender para prevenir, desdramatizar em vez de culpabilizar.

    Na prevenção dos acidentes rodoviários o mais importante é o “como” e o “porquê” e não o “quem”. As causas e não as culpas. Não é possível prevenir o que se desconhece ou aquilo que não se compreende.

    Comentário por Fernando Penim Redondo — Janeiro 19, 2008 @ 11:45 pm | Responder

  2. Excelente análise, bravo guerreiro

    Só para constar, o Cultcoolfreak mudou de endereço. Agora atendemos em http://www.verbeat.org/blogs/cultcoolfreak

    abraços

    Comentário por Roger — Janeiro 20, 2008 @ 12:59 pm | Responder

  3. Acho que enquanto não obrigarem o pessoal a andar a pé não haverá uma solução satisfatória. Sempre que ando no IC19, é rara a vez que não evito um ou mais acidentes!

    Comentário por Rafeiro Perfumado — Janeiro 20, 2008 @ 8:03 pm | Responder

  4. Boa análise. Vou ‘importar’ o artigo para o Oeiras Local. Com a sua licença e o devido link.

    Abraço
    I.

    Comentário por Isabel Magalhaes — Janeiro 21, 2008 @ 3:43 pm | Responder

  5. Para além da seriedade do assunto, algum humor não faz mal…

    A tradição alcunhou os gardas da GNR “guitas” (por causa do cordão do apito) e os agentes da PSP “cucos”. Não sendo clara a explicação para esta última alcunha, alguém perguntava porquê? E alguém respondeu “Não estou certo, mas o cuco caracteriza-se por colocar os ovos em ninho alheio”.
    A tradição tem muita força…

    Sem maldade! Rir faz bem à saúde.

    Comentário por Zé Guita — Janeiro 21, 2008 @ 4:38 pm | Responder

  6. A análise de Túlio tem todo o cabimento, está óptima.
    O comentário de Fernando Redondo é também muito bom.
    Mas apontando para as causas, sejamos realistas:
    a falta de educação e de instrução de muito condutor, a falta de respeito pelos outros e a deficiente preparação dada por algumas [muitas] pseudo-Escolas de Condução, estão, a meu ver, na origem da maioria dos acidentes.
    O problema tem de ser atacado pela raiz; enquanto isso não for encarado por este prisma, continuaremos a eternizar o problema.
    Muitos continuam a culpabilizar o mau estado das nossas estradas! É uma razão falaciosa, “desculpa de mau condutor”; se ela não está planeada ou conservada convenientemente, somos nós que temos a obrigação de nos adaptarmos às circunstâncias, mas a maioria não o faz e, depois, culpabiliza tudo e qualquer coisa e todos os outros!!!
    Fiz muitas vezes a antiga IP5: por quantos fui ultrapassado, como se numa auto-estrada circulássemos? Era uma boa estrada de montanha, mas não uma auto-estrada. Quanto camião de longo curso incendiado?! Será que os condutores não aprenderam que há certas condições em que se reduz a velocidade com o motor e caixa e não com o travão?
    Muito teria para dizer, mas não quero ser fastidioso.
    Quem ensina que aprenda a ensinar e, quem está a aprender, que aprenda a aprender. Depois é só aplicar e ter respeito pelos outros.
    FR

    Comentário por Fernando Rezende — Janeiro 21, 2008 @ 6:22 pm | Responder

  7. Quando a inteligencia nã dá para mais parte-se para a injúria e a difamação.
    Mas isso tem uma explicação;a ignorancia e a estupidez de quem não respeita até os próprios colegas.Não é assim sr Zé Guita?
    Comente os artigos e deixe-se de burrices.

    Comentário por antonio martins(P.J.) — Janeiro 21, 2008 @ 6:55 pm | Responder

  8. falar de segurança rodoviária é referir-se ao conjunto de problemas que resultam da inadequada combinação entre o meio ( veículo), a via (estrada) e o ser humano ( que pode ser peão ou condutor).
    Se nós imaginarmos um senário onde os três elementos estão nas suas perfeitas condições, isto é, estradas bem consebidas; veículos tecnicamente perfeitos e o ser humano com o domínio das regras de circulação na via pública e aplica-las perfeitamente não teriamos acidentes de viação.
    Isto significa que quando pretendemos olhar para as causas dos acidentes de viação temos que reparar em todos esses elementos, porém devemos assumir que sendo o homem racional tem a capacidade de actuar sob condições adversas e evitar os acidentes de viação. por este razão justifica-se a concetração de acções tendentes a modificar atitudes e comportamentos inadequados, seja de peões assim como de condutores.

    Comentário por Napoleão Sumbane — Janeiro 24, 2008 @ 11:50 am | Responder

  9. Ó Sr. antonio martins(P.J.), o único que eu vejo aqui cuja ignorância e estupidez é notória é em V. Ex.ª.
    O comentário do Zé Guita é salutar e (acho) não pretender injuriar nem difamar ninguém, eu pelo menos não me sinto difamado.
    E é verdade que os cucos se caracterizam por colocar os ovos nos ninhos dos outros. Não lhe explicaram isso lá para os lados do Barro? Se calhar fazia falta um pouco de humor, talvez acertassem mais nas investigações…
    É melhor começarem a fazer umas operações com a ASAE a ver se aprendem algo.

    Comentário por Zé Guitalhão — Janeiro 25, 2008 @ 11:32 am | Responder

  10. SR ZÉ Guitalhao,verdadeiramente as suas opçoes é passar aos outros as vossas caracteristicas,nomeadamente ;burrice,ignorancia,má formação e incapacidade para o dialogo,e eis a prova disso.Com este comentário da sua pessoa,mais uma vez demonstra as sua incapacidades par o comentario verdadeiro.
    As tais operações de sucesso com a ASAE só a si lhe ficará bem porque os pequenos ,têm de se por em bicos de pés para serem vistos.

    Comentário por antonio martins(P.J.) — Janeiro 27, 2008 @ 11:35 am | Responder


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