A Toca do Túlio

Maio 24, 2010

Sindicato diz que ministro “enganou os cidadãos” ao falar em aumentos salariais

Filed under: Forças de Segurança — tuliohostilio @ 9:05 pm

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) considera que o anúncio de aumentos de 1,5 por cento feito hoje pelo ministro da Administração Interna é “enganoso” e que é uma tentativa de desmobilizar a manifestação de quinta feira.

O presidente da ASPP, Paulo Rodrigues, lamentou hoje, em declarações à agência Lusa, o anúncio do ministro, dizendo que este “enganou os cidadãos” e que é uma “tentativa de desmobilizar a manifestação”.

O ministro Rui Pereira disse hoje, no Porto, que os agentes da PSP e os militares da GNR vão ter este ano um aumento de 1,5 por cento na remuneração ilíquida.

“Lamentamos as declarações do ministro, porque o aumento de 1,5 por cento é sobre os suplementos. A título de exemplo, posso dizer que este aumento significa 11 euros para um polícia que ganha 755 euros de ordenado base”, explicou à Lusa Paulo Rodrigues.

O sindicalista acrescentou que com a entrada em vigor do novo estatuto profissional, com o qual a ASPP não concorda, há uma redução dos suplementos superior ao aumento anunciado.

“O estatuto profissional que nós criticamos vai reduzir em dobro o suplemento patrulha e especial de polícia, retirando 20 euros aos polícias antes de os aumentar 11 euros, portanto não há qualquer aumento dos salários”, acrescentou.

Assim, a ASPP lança um repto ao Ministério da Administração Interna: “Os profissionais da PSP abdicam do subsídio de fardamento se o ministério conceder o uniforme adequado ao desempenho da missão sempre que seja necessário”.

A associação pretende também “deixar bem vincado” que a “manifestação não pretende exigir aumentos salariais, mas simplesmente um estatuto que sirva a instituição, os profissionais e melhore a eficácia da PSP junto dos cidadãos”.

IN Dn 24/05/2010

PSP e GNR vão ter aumentos de 1,5%

Filed under: Forças de Segurança — tuliohostilio @ 9:03 pm

“Este ano há um aumento de 1,5 por cento de remuneração ilíquida para todos os polícias”, afirmou Rui Pereira, na inauguração da esquadra da PSP do Bom Pastor.

De acordo com o ministro, o aumento abrange os agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) e os militares da Guarda Nacional Republicana (GNR).

“Justamente neste ano em que a função pública não tem aumentos e em que há uma redução de salários dos titulares de cargos públicos, existe um aumento para a PSP e a GNR. Estamos a actualizar o suplemento das forças de segurança, que subirá de 14,5 para 20 por cento em três anos, mas este ano já aumenta 1,5 por cento”, salientou.

Rui Pereira garantiu ainda que, “ao contrário do que se disse, certamente por engano, não estão congelados nem parados” os concursos de promoção abertos pela PSP.

O ministro recordou também que o subsídio de fardamento aumentou este ano de 60 para 150 euros e que nos próximos quatro anos chegará aos 300 euros.

“Também começou a ser pago este ano um suplemento para investigação criminal”, realçou.

Rui Pereira escusou-se, contudo, a comentar a manifestação nacional agendada para quinta feira em Lisboa convocada pela Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP).

A ASPP – o maior sindicato na PSP – contesta o novo estatuto profissional da Polícia, que entrou em vigor em 01 de Janeiro, por considerar que agravou as injustiças salariais na classe.

O ministro da Administração Interna inaugurou hoje as novas esquadras da PSP do Bom Pastor, construída de raiz em parte do terreno do desactivado quartel de transmissões, na Rua Vale Formoso, e da Foz, que resultou da reconstrução da antiga 15.ª esquadra.

As duas obras custaram dois milhões de euros, dos quais 1,2 milhões foram investidos na esquadra do Bom Pastor.

Rui Pereira referiu que “está prestes a inaugurar” a nova esquadra do Viso (Porto), a que se seguirá a da Afurada (Gaia).

O ministro reconheceu que as degradadas esquadras do Comando Metropolitano do Porto da PSP “não são adequadas ao exercício da função policial nem à dignidade do Estado”.

“Este é um esforço completamente racional, porque não podemos descurar as áreas de soberania e segurança. E o nosso esforço não vai ficar por aqui”, salientou.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, considerou a aposta na reconstrução de esquadras “a estratégia correta que o país tem de seguir”.

“Durante muitos anos, abandonamos as funções de soberania, como a justiça e a segurança. Apenas investimentos em infraestruturas rodoviárias, o que é um erro político crasso”, frisou.

In DN 24/04/2010

Polícias esclarecem ministro

Filed under: Forças de Segurança — tuliohostilio @ 8:51 pm
O maior sindicato da PSP reage com indignação ao comentário que o ministro da Administração Interna hoje fez sobre a manifestação de polícias marcada para a próxima quinta-feira. 
Rui Pereira disse não compreender o protesto, porque dentro da administração pública, os polícias estão este ano a ser beneficiados, sendo praticamente os únicos com aumentos salariais. 
Em resposta, a Associação Sindical dos Profissionais de Policia lembra ao ministro que a manifestação está marcada há mais de um mês e que nada tem a ver com aumentos salariais. Em causa está o novo estatuto profissional, que o Presidente da ASPP, Paulo Rodrigues, diz ser lesivo da carreira dos polícias. 
“O que houve foi um aumento de 1,5% no suplemento das forças e serviços de segurança que   não compensa as reduções no suplemento de patrulha e nalguns suplementos como é o de especial de polícia (…). Os polícias não exigem aumentos salariais, o que exigimos é um estatuto que permita a progressão na carreira, para que os profissionais sintam motivados”, explicou Paulo Rodrigues.
In RR 24/05/2010

Manifestação de polícias

Filed under: Forças de Segurança — tuliohostilio @ 8:49 pm

O ministro da Administração Interna diz não compreender as razões que motivam a manifestação da PSP agendada para quinta-feira. Esta manhã, Rui Pereira lembrou no Porto que, em tempo de crise, foram concedidos aumentos salariais nas forças de segurança, ao contrário do que acontece no quadro da função pública.

É com números que o ministro da Administração Interna tenta desmontar qualquer argumento que sirva de base à manifestação. “Justamente este ano, em que a função pública não tem aumentos, existe um aumento para a PSP e para a GNR. Nós estamos a actualizar o suplemento das forças de segurança, que vai aumentar de 14.5 para 20% das remunerações no prazo de três anos e mesmo este ano aumenta 1,5%. Quero recordar que o suplemento de fardamento, que no ano passado era de 60 euros, este ano aumenta para 150 euros e queria recordar que, no prazo de quatro anos, esse aumento vai ser de 60 euros para 300 euros. Em suma, toda a gente sabe que o Governo e o ministro da Administração Interna estão a fazer tudo para valorizar as carreiras policiais”, disse Rui Pereira.

O ministro da Administração Interna fez estas declarações à margem da inauguração de novas esquadras da Polícia de Segurança Pública no Porto. 

A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP) mantém a acção de protesto, apesar de já terem sido garantidas as promoções previstas para este ano. A ASPP reclama também alterações ao estatuto profissional .

A manifestação está marcada para dia 27 de Maio.

In RR 24/05/2010

Governo de coligação (inglês) quer altos funcionários públicos a andar de transportes como os outros cidadãos

Filed under: Imprensa Nacional — tuliohostilio @ 9:54 am

O programa de austeridade britânico que a coligação entre conservadores e liberais-democratas vai apresentar passa pela aprovação de 21 novas leis em ano e meio, noticiaram ontem dois jornais, Sunday Telegraph e Sunday Mirror, com base num rascunho do discurso que a Rainha vai fazer amanhã perante o Parlamento.

As palavras de Isabel II, na sessão inaugural dos deputados, costumam ser um dos segredos mais bem guardados entre o Governo e o Palácio de Buckingham. Agora são conhecidas de todos, com dois dias de avanço.

A monarca ia dizer que “liberdade, justiça e responsabilidade” estão no coração do programa legislativo com novas leis. E que a prioridade deste novo Governo é “restaurar o crescimento económico e acelerar a redução do défice estrutural”.

A fuga para a imprensa constitui um profundo embaraço para o novo Executivo britânico, liderado por David Cameron. Ainda por cima acontece na véspera do dia em que a coligação vai anunciar uma primeira série de planos económicos para combater o gigantesco défice de 11,1% do PIB e reduzir a despesa em pelo menos seis mil milhões de libras ainda no decorrer deste ano.

Os jornais de ontem já levantavam um pouco o véu sobre o impacto que as novas medidas de austeridade poderão ter, sem esperar pela apresentação do orçamento rectificativo a 22 de Junho. Entre 300 mil e 700 mil funcionários públicos poderão ficar desempregados nos próximos anos, fruto das reformas que a coligação conservadora-liberal-democrata planeia fazer em ministérios e em vários serviços públicos, avançou o Sunday Times.

As mais afectadas serão as pessoas que trabalham na saúde, incluindo médicos e enfermeiros, os funcionários autárquicos, polícias e civis que trabalham nas esquadras do Reino Unido. Também o Ministério da Defesa tenciona eliminar um terço dos gastos administrativos, cortando até 20 mil postos de trabalho.

Além disso, os funcionários públicos terão cortes em viagens de táxi, avião e hotéis. Os secretários de Estado e outras altos funcionários serão incentivados a viajar de transportes públicos como qualquer outro cidadão. Também estão previstos cortes naquilo que em inglês se chamam quangos – organismos privados que oferecem serviços públicos mas que são financiados pelo Governo.

Também no Foreign Office, responsável pelas relações externas, haverá encerramento de escritórios depois de uma auditoria ter revelado que há várias agências governamentais a operar em locais distintos na mesma cidade. Exemplo disso são os escritórios do Alto Comissariado, da Agência de Fronteiras, do Departamento de Desenvolvimento Internacional e do British Council em Abuja, capital da Nigéria. A sua fusão pouparia 23 milhões de euros ao Estado britânico.

O Independent on Sunday noticiou, por sua vez, que o Governo tenciona apresentar legislação para taxar os bancos em oito mil milhões de libras, três vezes mais do que era inicialmente suposto. Algo que, diz o jornal, pode também indicar que o novo orçamento contenha o aumento da taxa de IVA.

 IN DN 24/05/2010

Maio 17, 2010

Guerra é Guerra

Filed under: Forças de Segurança — tuliohostilio @ 7:08 pm

Foi colocado recentemente nas bancas o livro “GUERRA É GUERRA” – Um Oficial da GNR no Iraque, da autoria de Miguel Costa Barreto, Major de Infª da Guarda Nacional Republicana. De acordo com Paulo Portas, “este é um livro de missão, o sr. Major Costa Barreto não nos traz uma narrativa épica, não escreveu uma aventura, não toma a fria posição de um historiador nem, sequer, a confortável distância da testemunha. É um livro escrito na primeira pessoa, uma história em primeira mão, a vivência humana de um oficial da Guarda”.

Na minha opinião trata-se de uma iniciativa louvável que contribui para abrir a instituição à sociedade e para afastar algumas imagens do passado a que alguns sectores, por diversos tipos de conveniências, ainda a tentam associar.

Túlio Hostílio

Maio 12, 2010

A História do Sargento Formiga

Filed under: Sem-categoria — tuliohostilio @ 7:21 pm

Notas Prévias

O texto que agora aqui publico, escrevi-o já em 2006 como comentário no blog da ANS/GNR, e quase já me tinha esquecido dele, para minha surpresa aterrou no meu mail. Antes que alguém assuma a sua paternidade, porque o que não faltam para aí são pais inférteis desesperados para percorrerem as vias rápidas da adopção, decidi publicá-lo.

Não obstante ser um Sargento que assume o papel central da história, a personagem encaixa perfeitamente na generalidade dos funcionários públicos, essa “raça maldita” que alguém um dia jurou erradicar da face da terra, ou então torná-la de tal forma subserviente que jamais ousasse sequer pensar em reclamar do quer que fosse.

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência……..
Esta história foi inspirada numa fábula de La Fontaine, tal como a versão cinematográfica do Crime do Padre Amaro (onde intervém em grande estilo, a Soraia Chaves, exemplificando, para o grande público, as diversas posições e artes do Kama Sutra), se inspirou no livro homónimo do Eça de Queiroz.

Agradecimentos

À minha grande musa inspiradora Aldirene, actualmente quadro superior do grupo Telefónica, ex-miss Belo Horizonte, com quem travei conhecimento numa viagem que fiz ao Brasil, país que a partir daí começou a fazer parte integrante e constante do meu roteiro.
Quando estamos mais afastados em termos de milhas áreas, esta minha musa inspiradora nos dias pares envia-me mail’s com histórias da luta do bem contra o mal, sobre Jesus Redentor, as Cartas de S. Paulo aos Coríntios, bem como citações dos Salmos adaptados à vida dos nossos dias, e nos dias impares remete-me outros, cujo conteúdo até faria corar o José Vilhena nas suas descrições mais pitorescas, além de falarmos, diariamente, através do MSN, jogando ao “despe-despe” “on line”.

 

Índice

I. A Chegada

II. A Produtividade

III. “A apertada supervisão”

IV. Chega um Gestor

V. O Gestor em acção

VI. Epílogo

 

I – A chegada

Acabado que foi o Curso de Formação, o recém promovido Sargento Formiga, de seu nome Armando dos Santos Formiga, é colocado no Posto de Vila Aluída, por escolha, destinando-se a Comandante do Posto.
Indo substituir um outro camarada, muito experiente na “arte de bem comandar todo o Posto”, o qual nos últimos dois anos tinha sido nomeado para todos os cursos possíveis e imaginários para o desempenho daquela função, desde informática, a liderança, a atendimento ao público, bem como, dominava na perfeição toda a problemática da investigação criminal, do ambiente, processo penal, etc, etc, etc. Em suma um verdadeiro às. Mas entretanto viera a promoção e com ela as malas tiveram de ser feitas apressadamente, rumando em direcção ao Sul (ao que consta o efectivo do Posto no Natal anterior tinha-lhe oferecido um livro com um nome muito semelhante, enfim coincidências da vida), acabando por aterrar, como gerente de uma messe, algures entre Sagres e Vila Real de Santo António.

Feita que foi a reunião da praxe com o efectivo, a visita às entidades locais, a ronda à zona de acção e o relatório de posse comando, lá começou o Sargento Formiga a mourejar cheio de energia.

II – A Produtividade

Todos os dias, o Formiga, depois de ter atendido o telefone e telemóvel de serviço, um sem número de vezes durante a noite, chegava bem cedo, rondava, inspeccionava, escalava, aquilo era uma roda-viva, saindo sempre noite dentro.

Rapidamente se começou a destacar dos seus pares, devido à motivação que conseguiu imprimir aos seus subordinados e à dinâmica do serviço prestado em termos de segurança às populações que servia, o que lhe mereceu rasgados elogios das autoridades locais e da cadeia hierárquica onde estava inserido.

Entretanto, havia sido encomendado um estudo a uma empresa de consultadoria, dessas que agora pululam aí pelo mercado e que têm receita para tudo, o qual recomendava de uma forma acintosa que todos os Postos cujo desempenho fosse do tipo daquele que era demonstrado pelo de Vila Aluída, deveriam ser alvo de uma “apertada supervisão”, porque se os resultados já eram muito bons, com esta “apertada supervisão”, certamente e sem sombra de dúvidas, a produtividade iria aumentar de forma exponencial.

III – “A apertada supervisão”

Para efectuar esta “apertada supervisão”, foi nomeado o Capitão Gancho, o qual começou, imediatamente, a preparar enormes e bem estruturados relatórios, ao mesmo tempo que padronizou o horário de entrada e saída do Formiga, chamando-o ao gabinete onde fez questão de lhe dizer em tom solene e admoestador: – O senhor a partir de hoje chega às 09.00 e sai às 17.00, não o quero nem com um minuto de atraso, senão terei de proceder em conformidade. De tudo o que fizer terá de me dar conta para posterior aprovação. Aqui tem o seu cartão de ponto para meter na máquina todos os dias. Isto não é por mal, mas como compreende tem de haver regras, senão grassa a anarquia e a anarquia é inimiga visceral da hierarquia.

Como não poderia deixar de ser, lá saiu o Formiga triste e cabisbaixo, sentindo-se totalmente limitado nos seus movimentos e acção de comando.

Para executar cabalmente a missão que lhe tinha sido determinada, o Capitão Gancho de imediato sentiu necessidade de dois adjuntos para o ajudar a preparar os relatórios e na organização do expediente geral, arquivo e comunicações, requisitou o Oficial de Alta Escola e o Gangas, ambos com uma pós graduação em Segurança Geral, tirada em regime de “e-learning”, numa universidade virtual americana.

O escalão superior estava cada vez mais encantado com os relatórios do Capitão Gancho, dado que desde que estava devidamente assessorado, estes já incluíam gráficos com indicadores e análise de tendências que eram mostradas em reuniões, provando-se assim que se estava no caminho certo, viajando-se à velocidade da luz em direcção à eficiência e eficácia.
O Capitão Gancho não cabia em si de contente e para se aprimorar ainda mais, numa fria tarde de final de Outono mergulhou na FNAC do Chiado, tendo-se previamente inspirado nas lindas iluminações de Natal que emolduravam aquela parte nobre de Lisboa, e descobriu uma verdadeira pérola que o iria catapultar para o estrelato: MANUAL DE COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL, do Miguel Cunha e do Arménio Pina, RH Editora, deu três voltas à loja fingindo-se desinteressado ao mesmo tempo que ia fazendo contas de cabeça, mas depois de beber um café servido por uma atraente mulata da Cova da Moura, voltou atrás e lá desembolsou os 38,16 €.

IV – Chega um gestor

Rapidamente se conclui que tinha de se aumentar, de forma urgente e inadiável, o parque informático (computadores, impressoras a cores, etc, etc, etc……). Tudo aquilo, nas barbas do Sargento Formiga, cada vez mais limitado e atascado em serviço, porque além de tudo o que já fazia, ainda tinha que alimentar os mapas, mapinhas e gráficos do Capitão Gancho e dos seus acólitos, começando a entrar em stress com todos aqueles papéis e constantes reuniões, vendo o seu efectivo a ser paulatinamente sorvido pelo escalão superior.

Lido e devorado o manual, em tempo recorde, havia que tomar decisões e rumar em direcção ao futuro, todos se admiraram de tal feito, porque o senhor Gancho era mais dado à leitura dos diários desportivos (desde que devidamente pintalgados a encarnado) e às páginas três, quatro e cinco do Correio Matinal.

Uma das primeiras medidas foi contratar um quadro de topo, com conhecimentos de gestão e de alguns rudimentos jurídicos, para que se rumasse em definitivo para a excelência em termos de produtividade, e logo se pensou no Abusus. Este exigiu, para o seu gabinete, tapetes de Arraiolos, secretária e mobília em pau-preto, bem como uma poltrona especial, toda forrada em pele genuína, além de um sistema informático e de vídeo vigilância de última geração. Fez-se ainda acompanhar de um assessor, amigo de longa data e especialista na “arte de tudo bem resolver através dos canais informais”: o Triciclo.

Abusus todos os dias chegava feliz ao trabalho, e em grande estilo. Fazendo-se transportar num Mercedes SLK, acompanhado por uma loura oxigenada, toda curvilínea, depois de tomarem café na pastelaria da esquina, e de darem um terno beijo de despedida, ela seguia marginal fora, cabelos esvoaçando ao vento, óculos escuros Armani, bem olorada com “AMOR AMOR” da Cacharel, em direcção ao Bar do Guincho, para se encontrar com o grande amor da sua vida, ao que consta um rapaz alto, de cabelo curto e óculos escuros, vestido e equipado a rigor com artigos contrafeitos. Passados alguns instantes desapareciam, inevitavelmente, pela estrada da Malveira da Serra, provavelmente para desfrutar das magníficas paisagens que abundam naquela linda costa desde o Cabo da Roca até Peniche.

V – O Gestor em acção

Enquanto isso o Abusus, começou a delinear um plano estratégico de melhorias e de controlo orçamental para a área onde trabalhava o Sargento Formiga, o qual cada vez mais se sentia tolhido e sem capacidade de resposta, tanto a nível interno como externo, começando a ficar com uma tez amarelada, macilenta, evidenciando sintomas de astenia, tornando-se distante e olhando frequentemente em direcção ao vazio, mas acima de tudo denunciava alguma desmotivação. Logo a produtividade em vez de subir exponencialmente, começou a descer a pique, para níveis assustadores.

Abusus em estreita colaboração com o Capitão Gancho e os acólitos de ambos, tentaram encontrar explicações para o que estava a suceder, lançaram mão de tudo, até de um estudo sobre as condições climatéricas e a sua influência nos elementos ligados às diversas áreas da segurança. Mas nada resultou, foi uma luta inglória. Mais uma vez a solução passava por uma empresa de consultadoria. O Triciclo logo se lembrou de uma sedeada algures nas Avenidas Novas e gerida por uma sua amiga de longa data, a qual no dia seguinte entrou logo em campo.

Foi um mês de entrevistas, inquéritos, análise dos gráficos e dos relatórios. No final surgiu um extenso documento de cerca de quinhentas páginas, segundo o qual havia uma pessoa a mais no meio de toda aquela engrenagem: O Sargento Formiga. Concluindo-se ainda que de futuro não deveriam ser colocados sargentos a exercer aquelas funções, porque “não aguentavam a pressão de apertada supervisão visando o aumento exponencial de produtividade em direcção a um quadro de excelência”, levantando-se mesma a hipótese de extinção desta categoria.

VI – Epílogo

Tanto quanto sei, o Sargento Formiga, foi reformado, tendo sido considerado incapaz para todo o serviço, estando na base desta decisão problemas do foro psiquiátrico devidamente comprovados.

Passados alguns tempos, depois ter tido conhecimento desta história, fui a uma loja de uma cadeia de hipermercados e qual não foi o meu espanto quando vi uns seguranças fardados e equipados a rigor com tecnologia de última geração, ostentando como símbolo uma formiga musculada e por baixo a insígnia “ANT – SECURITY SERVICES”. Ao que consta é propriedade de um tal Armando dos Santos Formiga que rasga os céus do mundo num jacto privado, dominando por completo e em absoluto o mercado da segurança privada, com sucursais a nível mundial.

Quanto ao projecto de “aumento exponencial de produtividade em direcção a um quadro de excelência”, recorrendo “a uma apertada supervisão”, para Postos cujo desempenho fosse do tipo daquele que era demonstrado pelo de Vila Aluída, foi sub-repticiamente abandonado, desconhecendo-se o actual paradeiro dos respectivos intervenientes, dando tal facto origem a uma notícia minúscula, colocado, estrategicamente, no canto superior esquerdo da última página do Correio Matinal.

Notas Finais

Depois desta extensa história, onde como avisei no início, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência…….., vou beber uma água de coco com a minha Aldirene, à sombra dos verdes coqueiros, aqui neste areal imenso, banhado por águas cálidas e de seguida recolher-me com ela na nossa acolhedora “chácara”.

Túlio Hostílio

Sargentos da GNR recusam comer

Filed under: Sem-categoria — tuliohostilio @ 6:56 pm

Classe diz-se esquecida por ainda não terem aberto vagas para a sua categoria. São hoje recebidos por comandante

Sargentos de várias unidades da GNR recusaram ontem almoçar nas instalações da Guarda em sinal de protesto por não verem as suas carreiras serem regularizadas à luz do novo estatuto.

“O novo estatuto obriga à abertura de vagas para comando, e estas não foram abertas”, disse ao DN o sargento O’Neill, presi- dente da Associação Nacional de Sargentos da Guarda (ANSG), que incentivou o protesto que ontem decorreu.

De acordo com o responsável, foram abertas vagas para o cargo de adjunto de comandante, que são ocupadas por oficiais subalternos, mas não foram abertos lugares para adjunto de comandado, lugares estes ocupados pelos sargentos.

“Se fosse por uma questão económica, não tinham aberto vagas para coronéis, que implicam gastos superiores. Nós continuamos neste impasse”, refere o dirigente sindical.

O descontentamento da ANSG, cujos elementos recusaram ontem almoçar como forma de protesto, já chegou aos ouvidos do comandante-geral da GNR, tenente-general Nélson dos Santos, que agendou para hoje uma reunião com os militares.

Em cima da mesa estará também outra questão ainda não resolvida: o decreto-lei para o sistema remuneratório também entrado em vigor em Janeiro, mas ainda não posto em prática, o que desagrada aos sargentos.

Segundo a lei, o suplemento de serviço deveria ser aumentado progressivamente desde este ano até 2012 e os militares com funções de investigação criminal passam a receber um suplemento de 150 euros.

O DN contactou o porta-voz da GNR, mas até ao fecho desta edição não obteve reacção a este protesto dos sargentos.

DN 11/05/2010

Papa: GNR ensina forças inglesas, incluindo Scotland Yard

Filed under: Sem-categoria — tuliohostilio @ 6:41 pm

O major Barreto, da GNR, fala por estes dias mais inglês que português. É «anfitrião» em Fátima de 11 oficiais de várias forças inglesas, que estão a ter lições para quando o papa Bento XVI visitar o Reino Unido, em setembro.
Desde terça feira que a Scotland Yard e polícias distritais acompanham como foi preparada e está a decorrer a operação de segurança da deslocação de Joseph Raztinger a Portugal, onde permanecerá até sexta feira.
As visitas de líderes da religião católica a um território maioritariamente anglicano não são frequentes. E apesar de não se esperarem multidões, já se contam com riscos de um país que tem sido alvo de muitas ações terroristas.
«[a Inglaterra] Não terá multidões, mas terá riscos certamente diferentes dos que aqui existem. Até porque a Inglaterra em termos de exposição a situações terroristas será mais periclitante que o nosso país», lembrou à Lusa.
Os oficiais estão a receber informação e a colher experiências sobre o policiamento de grandes eventos, como está a «suceder em Fátima».
 
A escolha dos «professores» é explicada pelo responsável como o reconhecimento da GNR, «quer no campo das missões internacionais, quer do policiamento de grandes eventos».
«A GNR tem experiência e é considerada como um ‘case study’ de sucesso», garantiu.
As perguntas feitas até agora não se desviam do ‘guião’ que os próprios portugueses utilizam quando aprendem com seus os parceiros internacionais: «qual o conceito de operação; o porquê de ter tomado determinadas decisões em detrimento de outras e cuidados e precauções» nesta situação específica.
No decorrer da visita, a partir das 17:00 de hoje, é que poderão surgir «questões ou dúvidas mais pertinentes e interessantes», ou seja, que fujam à norma das questões debatidas entre polícias e militares.

Diário Digital / Lusa 12/05/2010

Maio 10, 2010

Louvor à GNR

Filed under: Forças de Segurança — tuliohostilio @ 7:29 pm

MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA

Gabinete do Ministro

Louvor n.º 244/2010

 Dando pública expressão ao profundo reconhecimento que lhe é inteiramente devido, louvo a Guarda Nacional Republicana (GNR) pela forma notável como tem cumprido as missões nacionais e internacionais que lhe foram atribuídas, prestigiando o País e honrado todos quantos ao longo de quase um século nela serviram.

Afirmando -se em todas as circunstâncias como uma força credível e de grande mérito, a destacada acção colectiva dos contingentes enviados para missões nos teatros de operações de Timor-Leste, do Iraque e da Bósnia -Herzegovina tem sido fundamental para o reconhecimento internacional do seu desempenho e a consolidação como instituição de referência entre forças congéneres.

Também a qualificada participação individual de militares da Guarda em missões como observadores ou colaboradores de organizações internacionais em Angola, no Kosovo, na Roménia, na Macedónia, no Haiti, na Libéria, na Costa do Marfim, na Geórgia, na Palestina e na República Democrática do Congo justificam o apreço em que é tida a presença da Guarda além -fronteiras, e os reiterados convites que lhe são dirigidos para participar noutras operações multinacionais.

Determinantes para a projecção da imagem da Guarda e do papel desempenhado pelo nosso País no apoio às nações em vias de desenvolvimento são, igualmente, as acções de formação levadas a cabo pelos militares da Guarda no âmbito da cooperação técnico -policial junto das forças de segurança dos Estados que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Região Administrativa Especial de Macau. O exemplar comportamento dos elementos da Guarda e a constatação da qualidade do seu trabalho têm levado à adopção, por parte das forças dos países lusófonos, dos seus modelos organizativos e funcionais e dos princípios em que assenta toda a sua actividade, assim ajudando ao reforço dos laços que unem estes países a Portugal.

Os altos padrões de excelência atingidos pela Guarda em missões internacionais têm sido possíveis graças não só à competência e qualificação dos seus profissionais, mas sobretudo à extraordinária capacidade demonstrada pelos homens e mulheres que nela servem para interagir e dialogar com povos de outras nações. Verdadeiros embaixadores do País e praticantes da diplomacia do afecto junto das populações, são dignos representantes daqueles que, no passado, difundiram a nossa cultura, a nossa história e os nossos valores pelos quatro cantos do Mundo.

Mas a Guarda não esgota na componente operacional o seu engenho para a divulgação externa do valor do militar português: também na vertente lúdica constitui um instrumento de eleição para a difusão da cultura e da arte nacionais. As actuações da Banda e da Charanga a Cavalo em festivais de música militar, em particular as exibições na Alemanha, no Brasil, na Bélgica, em Espanha, em França, na Holanda, em Inglaterra, em Itália, no Luxemburgo e na Suíça, conjuntamente com grupos pertencentes a forças armadas e de segurança de outros países, têm sido sempre consideradas de qualidade inigualável, surpreendendo pela inovação, pela criatividade e pelo primor técnico evidenciados.

Por tudo quanto fica expresso, é da mais elementar justiça considerar que os serviços prestados pela Guarda Nacional Republicana (GNR) se traduzem em altíssimo prestígio para Portugal, deles tendo resultado honra e lustre para o País, devendo, por isso, ser publicamente classificados como extraordinariamente importantes, relevantes e distintíssimos.

 20 de Abril de 2010. — O Ministro da Administração Interna, Rui Carlos Pereira.

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