A Toca do Túlio

Maio 7, 2010

Mapping Crime

Filed under: Prevenção do crime — tuliohostilio @ 12:35 pm

Devido à minha natural curiosidade relativamente a tudo o que se insira na constelação da segurança, visito com frequência os sites de outras forças e serviços de segurança a nível internacional. Numa das minhas últimas incursões “aterrei” na “Metropolitan Police[1], tendo ficado surpreendido, pela positiva, com o facto desta polícia inglesa ter online uma aplicação informática denominada “mapping crime”, a qual transmite ao cidadão comum uma panorâmica da criminalidade na cidade de Londres, atribuindo cores à malha territorial consoante o tipo e o nível de criminalidade que se vão fazendo sentir.

Mas, acima de tudo, esta aplicação é um excelente auxiliar do trabalho policial[2], podendo servir para direccionar as forças no terreno à medida que as ocorrências vão surgindo, levando à adopção das modalidades de acção mais adequadas para satisfazer uma das necessidades mais importantes do cidadão: a segurança.

Através deste mapeamento informático do crime, tem-se acesso a uma multiplicidade de dados, tais como:

a)      A localização;

b)     A tipologia criminal;

c)      O padrão;

d)     A distância; e

e)      A direcção.

Em Portugal, tanto quanto sei, no âmbito das medidas que já foram tomadas, e daquelas que se prevêem vir a ser tomadas no domínio da segurança interna, nada consta relativamente a esta ferramenta electrónica, a qual conjugada com outros equipamentos como o GPS, e com as bases de dados disponíveis permitiria às forças e serviços de segurança prestar um serviço de maior qualidade, tanto ao nível preventivo como repressivo.

Túlio Hostílio


[1] Disponível em  http://maps.met.police.uk/.

[2] Para maiores desenvolvimentos: http://www.ncjrs.gov/pdffiles1/nij/209393.pdf .

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Janeiro 20, 2009

Insegurança

Filed under: Prevenção do crime — tuliohostilio @ 1:12 pm

Assaltantes viram-se para hotéis e restaurantes

 

Secretário-geral de Segurança Interna admite que a criminalidade aumentou em 2008. Um quadro que se poderá manter este ano fruto, entre outros factores, da crise económica.

O general Garcia Leandro considera que a manutenção do emprego é o dique para suster uma ruptura social.

 

Vigilância destes estabelecimentos é prioridade

Os hotéis e restaurantes estão sinalizados como alvos prioritários dos assaltantes. GNR e PSP têm registado uma tendência de aumento de crimes nestes locais. O Depipol (Departamento de Informações Policiais) da PSP está a preparar um relatório sobre as tendências da criminalidade para 2009 e a vigilância àqueles estabelecimentos está já definida como uma prioridade estratégica para este ano. Os analistas da PSP e GNR estimam que, em 2008, houve um aumento de 10% na criminalidade.

 

Segundo fontes policiais ouvidas pelo DN, para 2009 não se espera um abrandamento do crime, sobretudo o violento, à semelhança do que aconteceu o ano passado, como ontem admitiu o secretário-geral de Segurança Interna, Mário Mendes. Os hotéis e restaurantes, segundo elementos da GNR e PSP contactados pelo DN, são alvos vulneráveis, pois o grau de segurança é inferior ao dos bancos, caixas ATM e carrinhas de transporte de valores. “Hoje, os criminosos procuram dinheiro fácil sem muitos riscos”, descreveu ao DN um militar da GNR.

 

Segundo um analista do crime, a mudança de alvos é natural, tendo em conta os mecanismos de segurança das ATM (a utilização de tinta vermelha que danifica irremediavelmente as notas), o facto de um assalto a um banco poder desencadear uma operação policial que comporte riscos elevados, e uma operação sobre uma carrinha de transporte de valores requerer muitos dias de preparação, estando só ao alcance de uma estrutura minimamente preparada. Internamente, os bancos também já tomaram medidas. Uma delas passa por ter pouco dinheiro em caixa, de forma a tornar “pouco atractivo” um assalto.

 

As forças policiais esperam ainda um decréscimo, em 2009, dos assaltos a bombas de gasolina. Segundo os últimos dados, cada roubo “rende” uma média de 200 euros aos assaltantes. Ora isto faz com que as bombas deixem de ser alvos apetecíveis.

Crime aumentou

 

Ontem, o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, Mário Mendes, admitiu pela primeira vez que todo o tipo de criminalidade aumentou em 2008, apesar de ainda não ser possível quantificar, uma vez que as forças policiais ainda estão a compilar os dados relativos aos crimes participados.

 

Segundo Rui Pereira, ministro da Administração Interna, o relatório de Segurança Interna com dados do ano passado e a estratégia de segurança para 2009 serão conhecidos “até 15 de Abril”.

O secretário-geral do Sistema de Segurança Interna disse ainda que se “está a seguir com toda a atenção” a evolução de situações de violência social, mas referiu que “não há dados” que apontem para a existência de grupos organizados em bairros sociais. “Não há neste momento nenhum dado novo que resulte de alguma agitação”, afirmou, sublinhando, no entanto, que “não se pode descurar essa hipótese”, até porque “há sempre algum risco”.

 

DNOnline

Janeiro 23, 2008

Urbanismo e crime

Filed under: Prevenção do crime — tuliohostilio @ 10:45 pm

São constantes as referências à relação que existe entre o urbanismo e o crime. Em Setembro do ano passado, enquanto estava parado num semáforo de Lisboa, fui presenteado com um diário gratuito, onde Manuel Ferreira Antunes, ex-director da Polícia Judiciária se referia a este assunto. Afirmando que o “desenho urbanístico e a iluminação deficiente das ruas tornam as cidades mais perigosas”, o que advém do facto de ninguém com capacidade para aconselhar sobre esta matéria intervir na definição dos arruamentos, dos ângulos mortos ou da iluminação, no sentido de desconstruir o risco. 

Pretendendo-se desta forma dificultar o cometimento de crimes em determinados espaços, implementado determinadas barreiras reais ou simbólicas, as quais aumentam o risco do infractor ser detectado, ao mesmo tempo que se vão dignificando os locais com a recuperação e preservação arquitectónica, melhorando as infra-estruturas de apoio, os serviços e os respectivos equipamentos. 

Contudo, este conjunto de medidas e outras que gravitam em seu torno, inserem-se no âmbito da denominada prevenção situacional, a qual aborda o crime como sendo uma opção racional, utilitária, instrumental, altamente selectiva (espaço adequado, momento oportuno, vitima propícia) pelo que propugna uma intervenção especificamente dirigida a neutralizar as oportunidades, as situações de risco que se tornam mais atractivas para o infractor, levando em linha de conta diversas variáveis (temporais, espaciais) deixando-se intactas as raízes profundas do problema criminal, atacando-se as formas como se manifesta. 

E no domínio do urbanismo e da habitação, não nos podemos esquecer que ao longo das últimas décadas do Séc. XX, o interior de Portugal, em termos demográficos, foi desaguando no litoral, mais concretamente nas grandes cidades do litoral. Iniciando-se todo um vasto processo de construção clandestina que desembocou nos designados “bairros de génese ilegal”, onde pontificam exemplos como Casal de Cambra, bem como um mar  de aglomerados abarracados, designados por bairros de lata. Enquanto os primeiros foram sendo progressivamente legalizados; os habitantes dos segundos foram, de uma forma, mais ou menos progressiva, transferidos para os denominados bairros sociais, nalguns casos verdadeiros “guethos”, sendo os terrenos livres entregues à voracidade da especulação imobiliária. Existindo hoje, em Lisboa e no Porto, cerca de 700 a 800 mil pessoas a viver neste tipo de bairros, os quais são fustigados por todo um vasto e complexo conjunto de problemas ao nível social, como seja a toxicodependência, vivendo uma significativa fatia dos seus habitantes do rendimento social de integração. 

Por isso, nesta área, tal como noutras, a prevenção do crime não pode estar, apenas, ligada a uma perspectiva situacional, nem às estatísticas. Porque, no primeiro caso, trata-se de uma terapia semelhante à administração de analgésicos e anti inflamatórios para tratar uma infecção que exige antibióticos; no segundo caso, as estatísticas deixam sempre de fora as denominadas cifras negras, e em Portugal, em matérias relacionadas com a criminalidade há uma excessiva tendência para decidir de acordo com as estatísticas, as quais são importantes, mas devem de ser conjugadas com outros métodos e técnicas. 

Pelo que no domínio da prevenção criminal, além dos efeitos, também as causas têm de ser atacadas, neutralizando os problemas antes que eles se manifestem, o que tem de ser efectuado em diversas vertentes (educacional, de integração, habitacional, de trabalho, de bem-estar social e qualidade de vida) operando sempre a médio e a longo prazo, tendo como destinatários a generalidade dos cidadãos, procurando neutralizar o surgimento de um conjunto de variáveis que potenciem a entrada no mundo do crime. Permitindo o acesso a uma qualidade de vida satisfatória, pois, se a predisposição para a actividade delinquentes pode ser potenciada por condições de vida desfavoráveis, têm de ser promovidas alternativas eficazes a quem vive nas zonas pobres e marginalizadas, dando-lhe oportunidade de participar no bem estar social.  

Através de uma prevenção integrada e sistematizada, levando em linha de conta os seus diversos prismas, certamente, as cidades do futuro tornar-se-ão mais atractivas e inverter-se-á a tendência da polarização entre condomínios de luxo e bairros sociais, devolvendo às pessoas o gosto pela rua, pelo contacto social pela interacção. Evitando-se a confinação ao interior do apartamento ou da vivenda, devidamente, apetrechados com as últimas novidades em termos de equipamentos de segurança de acordo com a bolsa de cada um.   

Talvez se este tipo de visão tivesse sido adoptado atempadamente, o Vasco Graça Moura, não teria ficado indignado, com as fotografias sobre algumas zonas degradadas da capital portuguesa expostas na Place du Luxembourg (traseiras do Parlamento Europeu), tal como, também, ficaram os portugueses que tiveram conhecimento de tal facto através da leitura de um artigo deste escritor no Diário de Notícias. 

Túlio Hostílio

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