A Toca do Túlio

Maio 24, 2010

Governo de coligação (inglês) quer altos funcionários públicos a andar de transportes como os outros cidadãos

Filed under: Imprensa Nacional — tuliohostilio @ 9:54 am

O programa de austeridade britânico que a coligação entre conservadores e liberais-democratas vai apresentar passa pela aprovação de 21 novas leis em ano e meio, noticiaram ontem dois jornais, Sunday Telegraph e Sunday Mirror, com base num rascunho do discurso que a Rainha vai fazer amanhã perante o Parlamento.

As palavras de Isabel II, na sessão inaugural dos deputados, costumam ser um dos segredos mais bem guardados entre o Governo e o Palácio de Buckingham. Agora são conhecidas de todos, com dois dias de avanço.

A monarca ia dizer que “liberdade, justiça e responsabilidade” estão no coração do programa legislativo com novas leis. E que a prioridade deste novo Governo é “restaurar o crescimento económico e acelerar a redução do défice estrutural”.

A fuga para a imprensa constitui um profundo embaraço para o novo Executivo britânico, liderado por David Cameron. Ainda por cima acontece na véspera do dia em que a coligação vai anunciar uma primeira série de planos económicos para combater o gigantesco défice de 11,1% do PIB e reduzir a despesa em pelo menos seis mil milhões de libras ainda no decorrer deste ano.

Os jornais de ontem já levantavam um pouco o véu sobre o impacto que as novas medidas de austeridade poderão ter, sem esperar pela apresentação do orçamento rectificativo a 22 de Junho. Entre 300 mil e 700 mil funcionários públicos poderão ficar desempregados nos próximos anos, fruto das reformas que a coligação conservadora-liberal-democrata planeia fazer em ministérios e em vários serviços públicos, avançou o Sunday Times.

As mais afectadas serão as pessoas que trabalham na saúde, incluindo médicos e enfermeiros, os funcionários autárquicos, polícias e civis que trabalham nas esquadras do Reino Unido. Também o Ministério da Defesa tenciona eliminar um terço dos gastos administrativos, cortando até 20 mil postos de trabalho.

Além disso, os funcionários públicos terão cortes em viagens de táxi, avião e hotéis. Os secretários de Estado e outras altos funcionários serão incentivados a viajar de transportes públicos como qualquer outro cidadão. Também estão previstos cortes naquilo que em inglês se chamam quangos – organismos privados que oferecem serviços públicos mas que são financiados pelo Governo.

Também no Foreign Office, responsável pelas relações externas, haverá encerramento de escritórios depois de uma auditoria ter revelado que há várias agências governamentais a operar em locais distintos na mesma cidade. Exemplo disso são os escritórios do Alto Comissariado, da Agência de Fronteiras, do Departamento de Desenvolvimento Internacional e do British Council em Abuja, capital da Nigéria. A sua fusão pouparia 23 milhões de euros ao Estado britânico.

O Independent on Sunday noticiou, por sua vez, que o Governo tenciona apresentar legislação para taxar os bancos em oito mil milhões de libras, três vezes mais do que era inicialmente suposto. Algo que, diz o jornal, pode também indicar que o novo orçamento contenha o aumento da taxa de IVA.

 IN DN 24/05/2010

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